Não se faz tour na favela. Lá não é lugar de passear, fazer selfie para colocar nas redes sociais. E este é claramente o pensamento de toda a mídia brasileira, quiçá do mundo. Digo isto pela pouca atenção dada ao ataque terrorista ocorrido em Mogadíscio na Somália que deixou mais de 300 mortos e 400 feridos até a contagem deste momento. Sendo o maior ataque terrorista desde o 11 de setembro.

Em comparação a qualquer ocorrência em países ricos como Eua, Inglaterra e França podemos dizer que este ataque terrorista apesar de suas grandes proporções pouco foi noticiado. Isto se da pelo fato de a Somália por ser um pobre pais da África e sua dores não gerarem tanta comoção quanto ao que acontece em países ricos. Afinal quem é a Somália na fila do pão?

A  Somália é a Rocinha do mundo, se você não mora na favela da Rocinha, ou qualquer outra favela do Brasil, fica triste com a violência que acontece por lá. Porém isto não atinge sua vida diretamente. Você se incomoda com questão humana, mas em sua cabeça aquilo já faz parte do cotidiano daquela gente, a violência já esta inserida em sua realidade. Assim a violência na favela já é algo real e consolidado e tido como comum.

Porém quando esta violência desce para o asfalto e atravessa a linha da sua realidade provocando eventos que o atingem diretamente, ou alguma pessoa a qual você conhece, ou se identifica é como se cortasse em sua própria carne. No Brasil muitas pessoas conhecem a realidade da favela apenas pelas manchetes de jornal, ou filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite e outros. De forma análoga a Somália é assim para o resto do mundo, um lugar pouco conhecido e perigoso o qual conhecemos apenas por filmes como Capitão Willians  e Falcão negro em perigo.  

As pessoas em geral se identificam e buscam a beleza, os livros Historia de Beleza e História da Feitura de Humberto Eco falam de como estes dois adjetivos antagônicos se deram na arte durante a história do mundo. Isto de refaz nos dias de hoje sobretudo em uma sociedade onde a busca de uma perfeição estética é cada vez maior.

Assim o nível de identificação com países de primeiro mundo coloca qualquer fato acontecido nas manchetes dos maiores jornais, enquanto claramente a Somália não gera fato suficiente para conseguir a atenção do público para o qual estes veículos são direcionados. Assim a  Somália suas dores e mazelas, não são suficientemente fortes para preencher as folhas de jornais e atenção do mundo. Não apenas a Somália, mas a africa em toda sua amplitude são parte da grande periferia do mundo. E quem por lá mora, que reze.

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